Inflação deve atingir 9,7% em 2023, diz Banco Central – Quais impactos na nossa vida?

O Banco Central (BC) elevou sua projeção para a inflação em 2023, de 8,6% para 9,7%. A nova previsão foi divulgada nesta segunda-feira, 20 de novembro, no Relatório de Inflação do BC.

Inflação de 9,7% em 2023: como se preparar para a maior alta desde 2015

A elevação da projeção reflete o cenário internacional de incertezas, com a guerra na Ucrânia e os riscos de recessão global. No Brasil, o BC também vem aumentando a taxa básica de juros, a Selic, para tentar conter a inflação.

O aumento da inflação tem impactos diretos na vida dos brasileiros, no dia a dia. Os consumidores precisam pagar mais caro por alimentos, combustíveis, energia elétrica e outros produtos e serviços. Isso reduz o poder de compra e pode levar à queda do consumo.

Impactos no nosso dia a dia

Alimentação: o preço dos alimentos já está subindo há alguns meses, e essa tendência deve se manter em 2023. Por exemplo, o preço do arroz subiu 20% em 2022, e o preço do feijão subiu 30%. Isso significa que os consumidores terão que pagar mais caro pela compra de itens básicos, como arroz, feijão, carne, leite e frutas.

Segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de um a cinco salários mínimos, subiu 10,74% em 12 meses até outubro de 2022. No grupo de alimentos e bebidas, a alta foi de 15,28%.

Combustíveis: o preço dos combustíveis também está subindo, o que afeta o transporte público, o frete e o preço dos produtos que são transportados. Por exemplo, o preço da gasolina subiu 35% em 2022. Isso pode aumentar o custo de vida e dificultar o deslocamento das pessoas.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina nos postos do Brasil fechou em R$ 6,797 em 15 de novembro de 2022. Em um ano, o valor subiu 48,9%.

Energia elétrica: o preço da energia elétrica também está subindo, o que pode pesar no orçamento das famílias. Por exemplo, o preço da energia elétrica residencial subiu 25% em 2022.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a bandeira tarifária vermelha patamar 1, a mais cara, foi acionada em julho de 2022 e deve permanecer até abril de 2023. Com isso, a conta de luz dos consumidores residenciais de todo o país deve ficar mais cara em até R$ 14,20 por 100 kWh consumidos.

Serviços: o preço de serviços, como transporte, alimentação fora de casa e lazer, também está subindo. Por exemplo, o preço de uma passagem de ônibus subiu 20% em 2022. Isso pode reduzir o consumo desses serviços.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação para famílias com renda de até quatro salários mínimos, subiu 10,96% em 12 meses até outubro de 2022. No grupo de serviços, a alta foi de 12,63%.

Impactos da inflação na economia

O aumento da inflação também tem impactos na economia como um todo. Ele pode reduzir o crescimento econômico, já que as empresas precisam aumentar os preços para compensar a alta dos custos. 

Além disso, a inflação pode levar à perda de empregos, já que as empresas podem reduzir a produção para reduzir custos.

Como se preparar para a inflação

As pessoas pobres, da classe C para baixo, são as que mais sofrem com a inflação. Isso porque elas têm uma renda mais baixa e, portanto, têm menos margem para absorver os aumentos de preços.

Além disso, as pessoas pobres costumam gastar uma maior proporção de sua renda com itens essenciais, como alimentação, transporte e habitação. Isso significa que elas são mais afetadas pelos aumentos de preços desses itens.

Diante desse cenário, veja algumas medidas que, se possível adotar, vão te ajudar muito a se proteger da inflação:

  • Reduzir os gastos: é importante fazer um orçamento e identificar as despesas desnecessárias. Por exemplo, você pode cancelar assinaturas de serviços que não usa ou cortar gastos com alimentação fora de casa.
  • Aumentar a renda: é importante buscar formas de aumentar a renda. Por exemplo, você pode procurar um novo emprego, pedir um aumento salarial ou iniciar um negócio. Que seja vender algo para amigos, familiares ou na vizinhança. Pois nem sempre é possível diminuir ainda mais os gastos.
  • Conscientizar-se sobre as finanças: é importante estar sempre atento às finanças e tomar medidas para evitar o endividamento. Se você já está endividado, procure renegociar as dívidas para reduzir as parcelas.

Além dessas medidas, também podem contar com o apoio do governo. O governo pode oferecer programas sociais, como o Bolsa Família, para ajudar as pessoas a enfrentar a inflação. Entre no site do governo federal e procure por programas sociais. Pode ser que exista algo direcionado para você lá.

A inflação é um problema que afeta a todos, e é importante estar preparado para seus impactos. Com as medidas adequadas, é possível reduzir os efeitos da inflação e se proteger.