Descubra como seu débito aumenta por causa dos juros

Descubra como seu débito aumenta por causa dos juros

Variações de crédito apresentam taxas entre 22,8% e 398% ao ano

De acordo com o Banco Central, a taxa média de juros nas transações de crédito rotativo atingiu, em agosto de 2022, quase 400% ao ano – o índice mais elevado desde agosto de 2017, quando registrou 428%.

A função rotativa do cartão de crédito é ativada quando o titular não consegue quitar o valor total da fatura até a data de vencimento, mas deseja evitar a inadimplência.

Nesta situação, o montante não pago transforma-se numa espécie de empréstimo – com os juros sendo aplicados sobre essa quantia.

A maioria dos especialistas recomendam evitar essa opção de crédito, visto que é a mais onerosa disponível no mercado. Por isso, a equipe do Mister Din elaborou uma lista com as principais formas de crédito e o impacto de cada uma no seu orçamento.

Leia as opções para não cair em nenhuma armadilha.

Cartão de Crédito

O cartão de crédito, quando utilizado de maneira sensata, pode ser um forte aliado das finanças pessoais. Mas é essencial gerenciar a fatura cuidadosamente para evitar o uso do crédito rotativo.

A taxa média anual para o parcelamento no cartão de crédito é de 185,9%, conforme dados do Banco Central, englobando compras parceladas com juros, parcelamento da fatura, migração do rotativo, saques parcelados e pagamentos de contas parceladas.

Cheque Especial

O cheque especial, uma modalidade de crédito disponibilizada pelos bancos, é bastante utilizado devido à sua praticidade – embora possa se tornar um problema. A taxa média atual é de 128,6% ao ano.

Funciona como um empréstimo pré-aprovado, acionado quando se excede o saldo disponível na conta corrente. Assim, ao entrar no vermelho, o cheque especial é ativado e os juros são aplicados sobre o valor negativo da conta.

Crédito pessoal (não consignado)

Ao solicitar um empréstimo ao banco, você estará adquirindo um crédito pessoal, que se divide em duas categorias: o não consignado e o consignado.

Na primeira, não há desconto direto na fonte de renda: o indivíduo recebe o valor e acorda os prazos e condições de pagamento com o banco. A taxa média atual para essa modalidade é de 85,4% ao ano.

Crédito pessoal consignado

Esta é uma opção com taxa menor, proporcionando maior segurança ao credor. No crédito pessoal consignado, o pagamento é descontado diretamente do salário. As taxas variam conforme o perfil do trabalhador:

  • Servidores públicos: taxa média de 22,8% ao ano;
  • Trabalhadores do setor privado: média de 37,4% ao ano;
  • Beneficiários do INSS: média de 26,5% ao ano.

Qual tipo de crédito escolher?

Os dados são claros: taxas menores representam menos ônus. Por isso, o crédito pessoal consignado surge como a primeira escolha, seja para servidores públicos, empregados do setor privado ou beneficiários do INSS. 

O crédito pessoal não consignado aparece como a segunda opção mais vantajosa. Logo depois, vem o cheque especial. Apesar do risco, essa modalidade apresenta uma taxa inferior à do cartão de crédito. 

As últimas opções devem ser o cartão de crédito e o crédito rotativo, que deve ser evitado.

Simulação

Considerando as opções de crédito mencionadas, os juros podem representar uma diferença de mais de R$ 7,7 mil em um ano, para uma dívida de R$ 2 mil, por exemplo.

Um empréstimo consignado de R$ 2 mil para servidores públicos – a opção mais econômica – contrasta drasticamente com os mesmos R$ 2 mil no crédito rotativo.

Nesta simulação, o trabalhador que optou pelo empréstimo consignado (com pagamentos em 12 parcelas) terá desembolsado, ao final do período, R$ 2.231,45. Por outro lado, quem optou pelo crédito rotativo terá pago, após os 12 meses, R$ 9.968,00.

A diferença é gritante, por isso a atenção deve ser redobrada antes de fazer uma dívida dessas.

Endividamento: como evitar a ‘bola de neve’?

O primeiro passo é organizar uma planilha de receitas e despesas, preferencialmente com projeção para 12 meses, conforme sugerimos em outros textos no nosso site. Com base nela, avalie o que pode ser cortado nos gastos.

Se notar que o orçamento já está comprometido até o fim do ano e que precisará de crédito, é crucial planejar a modalidade e os prazos, compreendendo o valor total que terá pago ao final das parcelas.

Selic x créditos

A evolução dos juros de crédito no mercado não acompanhou o crescimento da Selic, a taxa básica de juros do país. Desde janeiro de 2021 até agora, a Selic aumentou 11,75 pontos percentuais, atingindo 13,75% atualmente.

Tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, o impacto do aumento dos juros pelo Banco Central ainda não foi percebido pela população. O crédito ainda não está alto, mas tende a aumentar bastante.

O Cenário dos Juros no Brasil e o Cuidado para não endividar

O cenário de taxas de juros elevadas demonstrado pelos diversos tipos de crédito destacados acima te mostra a necessidade da gestão financeira prudente.

Ignorar essa diferença entre as taxas de juros das diversas modalidades de crédito pode te gerar consequências financeiras severas, especialmente no caso de escolhas ruins. 

Por exemplo, a simulação que apresentamos revela uma diferença de mais de R$ 7,7 mil em um ano para uma dívida de R$ 2 mil, dependendo da modalidade de crédito escolhida.

O crédito pessoal consignado, com a menor taxa de juros entre as opções apresentadas é a escolha mais econômica em comparação com o crédito rotativo, que é categoricamente desaconselhado devido à sua taxa exorbitante.

A missão do Mister Din é conscientizar e ensinar você e outras pessoas sobre as implicações das taxas de juros associadas às várias modalidades de crédito ao fazerem suas escolhas.

Sugerimos uma estratégia prudente para a gestão do endividamento, enfatizando a importância de manter uma planilha de receitas e despesas e avaliar cuidadosamente a necessidade e a modalidade de crédito antes de se comprometer com qualquer dívida.

O planejamento financeiro é um passo vital para evitar a armadilha da bola de neve do endividamento, particularmente em um ambiente de taxas de juros crescentes, como indicado pela trajetória da Selic. 

A consciência e a compreensão das taxas de juros envolvidas nas transações de crédito são fundamentais para a gestão eficaz das finanças pessoais, e a população precisa estar bem informada para fazer escolhas de crédito sensatas que não comprometam sua estabilidade financeira no longo prazo. 

Oferecemos uma visão clara de como a escolha informada de crédito, juntamente com a gestão financeira disciplinada, pode proteger os consumidores das armadilhas do endividamento excessivo e suas repercussões financeiras potencialmente devastadoras.